Resumo
Este artigo examina a aparente tensão entre 2 Samuel 5:4–9a e Lucas 14:13–14 a respeito do destino dos “cegos e coxos”. Em 2 Samuel, os jebuseus invocam os “cegos e coxos” como uma metáfora depreciativa da incapacidade de Davi de capturar Jerusalém. Em Lucas, Jesus ordena a inclusão dos cegos, aleijados e coxos em banquetes como um sinal de reversão escatológica. Em vez de considerar essas passagens contraditórias, este artigo argumenta que elas operam em campos semânticos distintos: 2 Samuel reflete uma proibição militar enraizada no simbolismo protetor do Antigo Oriente Próximo (análogo a imagens divinas como o Paládio Troiano), enquanto Lucas articula uma ética radical de hospitalidade fundamentada na teologia da ressurreição. O artigo se baseia em mitologia comparada, evidência iconográfica e conexão intertextual com o Salmo 115 para demonstrar que os “cegos e coxos” em 2 Samuel simbolizam ídolos impotentes, enquanto em Lucas representam os marginalizados que recebem a recompensa divina.
Referências
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