Resumo
O presente artigo analisa a inserção e o desenvolvimento do adventismo entre o povo indígena Palikur, localizado na região de fronteira entre o norte do Brasil e a Guiana Francesa, a partir de uma perspectiva histórico-religiosa. O estudo investiga os processos de contato missionário, recepção da mensagem adventista e reconfiguração das práticas religiosas tradicionais, considerando os atravessamentos culturais, linguísticos e sociopolíticos envolvidos na evangelização indígena ao longo do século XX. Metodologicamente, a pesquisa apoia-se em análise documental de fontes missionárias, relatórios institucionais e registros históricos denominacionais, articulada a contribuições da antropologia da religião e da história indígena. Argumenta-se que a adoção do adventismo pelos Palikur não se deu como simples substituição religiosa, mas como um processo complexo de negociação simbólica, no qual elementos doutrinários adventistas foram reinterpretados à luz da cosmologia indígena e de suas experiências históricas de contato interétnico. O artigo evidencia que a missão adventista atuou simultaneamente como agente religioso, educacional e cultural, influenciando práticas de saúde, organização comunitária e relações com o Estado nacional. Ao situar o caso Palikur no debate mais amplo sobre missões cristãs e povos indígenas na Amazônia, o estudo contribui para a compreensão das dinâmicas de tradução cultural e construção de identidades religiosas híbridas. Conclui-se que a experiência adventista entre os Palikur desafia modelos lineares de conversão e reforça a necessidade de abordagens históricas sensíveis à interculturalidade e à pluralidade religiosa

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